A realidade da saúde brasileira é bastante conhecida. A maciça
intervenção governamental, seja via Agência Nacional de Saúde
Suplementar (ANS) ou por meio das altas taxas tributárias, sem
contar a ação de uma minoria de empresários mal orientados,
transforma o mercado de saúde em uma novela bastante dramática.
Paradoxos como os impostos sobre remédios para seres humanos,
inexistentes nos medicamentos para animais, certamente não são
casos únicos. Isto porque, desde outubro de 1998, foram editadas
291 mil normas tributárias, das quais 21.820 estavam em vigor em
outubro de 2012. É, em miúdos, um confuso hospício tributário.
Um terço do valor pago por um cidadão brasileiro em qualquer
serviço ou produto da cadeia industrial da saúde é composto por
tributos, impostos, contribuições e taxas, segundo dados da
Confederação Nacional de Saúde (CNS). Em um sistema no mínimo
perverso, o gestor hospitalar é duplamente tributado, pagando o PIS
e o Cofins ao comprar insumos indispensáveis e, posteriormente, ao
auferir receita. Mesmo o cálculo do ISS, segundo a lei 116/2003,
não prevê a exclusão do valor dos insumos na tributação.
A gritante cena sequer é negada pela própria Anvisa. A agência
reguladora realizou uma pesquisa para detectar o impacto do ICMS,
Imposto de Importação, IPI e do PIS/Cofins sobre os materiais e
insumos de saúde, apresentando os seguintes resultados: em 5.634
itens (das áreas de cardiologia, oftalmologia, patologia clínica,
hemodiálise, oftalmologia, entre outros), o PIS/Cofins incide em
mais de 70% do valor final.
Fica claro que a tributação é uma das principais inimigas da
prevenção e do tratamento de doenças no Brasil. Façamos um esforço
imaginativo. Os gastos com insumos em hospitais atingem a taxa de
50,9%. Tire desse valor os percentuais descritos pela Anvisa e
teremos um quadro pronto. O setor de saúde privado paga, no valor
agregado, 25,23% – mais do que os setores financeiro (20,84%) e de
segurança privada (20,74%). Isso é justo?
A proposta da CNS, que substitui os tributos sobre a Folha de
Pagamento, de 3,58% da receita para um imposto de 2% sobre a
receita geral, é bastante sensata. Com isso, há a facilitação para
a criação de novos empregos e libera-se uma grande quantidade de
capital para novos investimentos (aproximadamente R$ 1,737 bilhão,
segundo estimativas), o que invariavelmente ampliará o acesso do
público à saúde suplementar.
O que a saúde precisa, seja pública ou privada, é de investimentos,
os quais podem muito bem ser capitalizados por meio de uma redução
dos tributos. A criação de novos leitos, os gastos com novas
tecnologias e os novos tratamentos, dada a situação, dependem,
estrategicamente, de menos impostos.