As crianças americanas nascidas fora dos Estados Unidos estão
muito menos propensas a sofrer de doenças alérgicas do que as
nascidas no país, revelou um estudo publicado nesta
segunda-feira.
O estudo, publicado na edição online da seção de pediatria da
revista da Associação Médica Americana (JAMA), foi feito através do
envio de um questionário aos pais de 91.642 crianças e adolescentes
menores de 17 anos, no âmbito de uma pesquisa nacional sobre saúde
infantil, realizada entre 2007 e 2008.
Os cientistas determinaram a prevalência de doenças alérgicas
como asma, eczemas, febre do feno e alergias alimentares, e
constataram que as crianças americanas nascidas fora do país tinham
70% menos chances de sofrer destas doenças em comparação com as
nascidas no país (20,3% frente a 34,5%).
Se os pais também nasceram fora dos Estados Unidos, o risco de
desenvolver estas doenças alérgicas foi 83% menor em comparação com
aqueles cujos pais nasceram no país, apontaram os autores do
estudo.
Os cientistas mencionaram vários fatores possíveis para esta
diferença significativa na suscetibilidade às alergias, como nível
socioeconômico, grupo étnico, o fato de viver em áreas urbanas,
além da nutrição.
As crianças imigrantes americanas também ficaram mais expostas a
algumas infecções que poderiam ajudar seu sistema imunológico
imaturo a desenvolver disposições contra as alergias, reduzindo sua
suscetibilidade à asma, por exemplo.
A falta de estímulo infeccioso do sistema imunológico em
crianças pequenas poderia aumentar suas reações alérgicas,
afirmaram os médicos.Estudos feitos anteriormente mostraram que a
exposição ao vírus da varíola na primeira infância era associado a
um risco menor de asma, rinite alérgica e geralmente a uma menor
sensibilidade alérgica.
"Os imigrantes nos Estados Unidos vêm de países em
desenvolvimento, onde os estímulos infecciosos são mais frequentes,
têm um risco menor de doenças alérgicas", concluíram os autores do
estudo do Centro Hospitalar Roosevelt de Nova York.
Também observaram que as crianças nascidas fora dos Estados
Unidos aumentaram o risco de desenvolver eczemas e febre do feno,
mas não asma e alergias aos alimentos, mais de dez anos depois de
sua chegada, em comparação com todos os seus primeiros anos de
residência.