Segundo o Relatório de Pesquisa com Consumidores
Latino- Americanos da Swiss Re, existe um mercado potencial para
seguros de vida de até 90% da população de alguns países
latino-americanos. O relatório constata que a grande lacuna entre a
percepção da necessidade de cobertura para cuidados de longo prazo
e a penetração real dos seguros, de apenas 4%, implica a existência
de uma imensa oportunidade para as seguradoras da
região.
A
baixa penetração dos seguros no Brasil e a percepção existente no
México da necessidade de melhor cobertura para doenças graves são
consideradas oportunidades de crescimento específicas.
A
pesquisa da Swiss Re, que analisou as respostas de 5.001 pessoas,
com idade entre 21 e 70 anos, em seis países da América Latina
(Brasil, México, Chile, Colômbia, Peru e Porto Rico), constatou
que, muitas vezes, a cobertura de seguros poderia ser customizada
de forma mais adequada para atender às necessidades dos
consumidores.
Ao
serem perguntados sobre o que os motivava a adquirir determinados
tipos de seguro de vida, os participantes citaram como fatores mais
significativos, a necessidade de cobertura médica para doenças
graves (38%), a viabilidade financeira dos cuidados de longo prazo
(37%) e o temor de uma queda inesperada no padrão de vida
(30%).
As
principais oportunidades para as seguradoras podem ser derivadas
dessas preocupações. Apesar dos cuidados de longo prazo serem
citados como uma área de preocupação importante, apenas 4% dos
entrevistados acreditavam contar com essa cobertura. De forma
similar, o temor de ser acometido por uma doença grave é a
principal preocupação do público, mas apenas 21% dos consumidores
acreditam ter cobertura adequada.
“Existe uma discrepância considerável entre o que
as pessoas temem e a proteção que elas têm atualmente”, comentou
Margo Black, Head de Resseguros da Swiss Re para a América Latina
Sul. “Não há dúvidas de que a cobertura para cuidados de longo
prazo é um dos campos mais promissores para as
seguradoras.”
Os
participantes citaram a Internet e canais tradicionais de
distribuição – como agentes e corretores – como as fontes de
informação mais comumente utilizadas para obter informações sobre
produtos e cobertura de seguros.
“Embora ainda não tenha se estabelecido como
canal preferencial para a distribuição de produtos de seguro de
vida, a Internet se transformou na fonte mais significativa de
informações”, acrescenta Black. “Isso representa uma oportunidade
para que as seguradoras conquistem novos clientes e desenvolvam os
existentes de uma forma simples e econômica.”
Tendências de cobertura
Quase
a metade dos participantes da pesquisa (45%) afirmou possuir
atualmente uma apólice tradicional de seguro de vida. A pesquisa
também constatou que aqueles que mais precisam de cobertura
apresentam maior probabilidade de possuí-la. Por exemplo, 53% dos
adultos com idade dentre 35 e 54 anos e com filhos possuem uma
apólice de seguro de vida. As correlações mostram que as pessoas
que já possuem apólices apresentam maior probabilidade de adquirir
cobertura adicional e que a quantidade de apólices possuídas
aumenta com a idade e a renda. De forma geral, os homens têm maior
probabilidade de possuir apólices bem como de adquirir cobertura
adicional. Os níveis de penetração variam significativamente com o
patrimônio. Os níveis de penetração das três apólices de seguro
comuns variam de 23% a 30% entre aqueles na faixa de patrimônio
mais elevado e caem para 8% a
10%
entre as pessoas de renda mais baixa. ”Existe um potencial
significativo de crescimento entre as pessoas de renda mais baixa
por meio do desenvolvimento de um programa eficiente de
microsseguro com produtos financeiramente acessíveis”, explica
Alejandro Padilla, Head de Resseguros da Swiss Re para a América
Latina Norte. “A emergência da Internet como canal de distribuição
pode ser particularmente útil para essa parcela da
população”.
Barreiras de entrada
Da
mesma forma que em outros mercados, como a Europa, existe uma
percepção generalizada na América Latina de que os produtos de
seguro são proibitivamente dispendiosos. A percepção de preços não
acessíveis é a principal barreira para adquirir proteção mas,
surpreendentemente, muitos consumidores afirmaram que estariam
dispostos a pagar um prêmio mensal consideravelmente maior por
cobertura de seguro de vida desde que o produto tivesse termos e
condições simples.
Essa
constatação é uma convocação para que as seguradoras tornem seus
produtos mais acessíveis, simplificando seu desenho e criando
produtos que possam ser entendidos mais facilmente pelos potenciais
compradores. Ela também sugere que os consumidores estarão mais
dispostos a adotar produtos que tenham processos de venda e
procedimentos de subscrição simplificados.
Contudo, um desafio significativo para as
seguradoras é a porcentagem considerável da população que
simplesmente não considera a possibilidade de adquirir uma apólice
de seguro. ”As seguradoras só têm a ganhar com campanhas de
conscientização da importância da cobertura de seguro adequada ou
até mesmo parcial”, afirma Padilla. “A conscientização dos
consumidores é essencial, principalmente quando se considera que a
intenção de comprar um produto de seguros é maior na América Latina
do que na Europa e no Reino Unido.”
Tendências no Brasil
Em
nível nacional, o Brasil tem uma lacuna considerável na proteção de
seguro de vida. Contudo, a pesquisa constatou que os brasileiros
são os menos preocupados sobre sua situação financeira se vierem a
perder sua cobertura. No Brasil, a lacuna de cobertura é de US$ 25
trilhões (US$ 47.239 per capita); 44% dos pesquisados no país não
têm cobertura básica de vida e saúde e apenas 21% afirmaram estar
razoavelmente posicionados, com seguros adequados.
“Constatamos que embora sintam-se vulneráveis aos
riscos de saúde, muitos brasileiros têm proteção de seguros
insuficiente”, afirma Black. “Com uma grande parcela da população
ciente dos riscos potenciais e o grau de deficiência de cobertura
de seguros, esse é um ponto de partida promissor para uma discussão
sobre as necessidades e possíveis soluções para o
futuro.”