Os
brasileiros ainda não possuem o hábito de planejar suas
aposentadorias. De acordo com pesquisa divulgada pelo Portal Meu
Bolso Feliz, do SPC Brasil, 66% dos entrevistados não pensam no
futuro e dependem exclusivamente da aposentadoria do INSS. Segundo
a sócia do escritório RVM Advogados, especialista em Direito
Previdenciário, Zainara Costa da Silveira, é muito importante que
esta cultura seja alterada, para que a hora de parar de trabalhar
não signifique, também, o momento de mudar de qualidade de
vida.
“No
Brasil, é notório que ainda não há uma cultura de planejamento para
a aposentadoria, o que acaba por transformar um momento no qual o
trabalhador deveria merecidamente descansar, dedicando mais tempo à
família, amigos, lazer, estudos, em um período de muita ansiedade e
incertezas”, explica Zainara.
De
acordo com a advogada, a preocupação na grande parte dos processos
de aposentadoria é decorrente da constatação de que a renda paga
pelo Governo Federal não é a mesma que o trabalhador recebe durante
o período produtivo. Desta forma, o aposentado é surpreendido pela
falta de renda e pela obrigação de mudar seu padrão de vida para
manter a saúde financeira.
“É de
grande importância, diante dessa realidade, que seja feito um
planejamento previdenciário, que possa prever a melhor data para
requerer a aposentadoria, bem como oferecer simulações de seu valor
estimado. Com antecedência, é possível, ainda, traçar uma
estratégia de recolhimentos e tempo de contribuição, sempre com o
objetivo de obter o melhor benefício”, recomenda a
especialista.
Segundo Zainara, isso acontece em razão do
chamado Fator Previdenciário, que é o mecanismo utilizado pelo
INSS, na tentativa de adiar a aposentadoria dos trabalhadores mais
jovens, trazendo aos mesmos uma espécie de “penalização” para quem
se aposenta mais cedo. Assim, os aposentados que não possuem fundo
de reserva, através de uma poupança, previdência privada ou
investimento imobiliário, são obrigados a permanecer trabalhando
caso não queiram reduzir seus padrões de consumo.