Após a alta adesão ao direito de
retirada de seus acionistas por conta da aquisição da Ben’s
Corretora, a Brasil Insurance terá que rever esta e as outras duas
compras que fez após a transação.
Em meio a mais esse desdobramento
da crise em que vive a empresa há um ano, o conselho de
administração da companhia demitiu o presidente Edward Lange e
definiu que o diretor financeiro, Miguel Longo, vai acumular a
posição pelo menos até a próxima reunião de acionistas.
Ontem, a companhia anunciou que o
direito de recesso decorrente da aquisição da Ben’s Corretora, em
dezembro de 2013, foi exercida por acionistas no total de R$ 42,239
milhões. O valor equivale à metade do caixa que a empresa tinha no
terceiro trimestre de 2014. A concretização do pagamento, no
entanto, depende de assembleia de acionistas que pode ratificar ou
cancelar a aquisição.
“Vamos analisar com os acionistas
qual o melhor caminho para a companhia. Se é continuar com a
aquisição ou pedir o seu cancelamento”, disse Longo em
teleconferência com analistas.
A holding de corretoras de seguros
também vai “revisitar” a aquisição das corretoras ISM e Fidelle “no
momento oportuno”, segundo Longo. As duas aquisições foram feitas
depois da compra da Ben’s. O problema, nos três casos, é que o
valor patrimonial da ação na época das aquisições – que é o que tem
que ser pago aos acionistas no direito de retirada – é hoje maior
do que o valor de mercado da ação, o que motiva uma alta adesão dos
investidores (leia Contexto). “A companhia vai buscar preservar o
interesse dos acionistas e revisitar esse assunto”, disse
Longo.
Já sobre a saída de Edward Lange da
presidência da empresa, Longo disse na teleconferência que a
iniciativa foi tomada pelo conselho de administração durante o fim
de semana.
“A decisão do conselho conta com a
visão de todas as partes interessadas e leva em consideração todas
as informações que chegam até ele”, afirmou. Ele lembrou que o
conselho da companhia é composto por três conselheiros
independentes e dois sócios-corretores e que a decisão teve o
objetivo de preservar “o melhor interesse de todas as partes
interessadas”.
Segundo o executivo, a decisão do
conselho é que ele fique na presidência até pelo menos a próxima
Assembleia Geral Ordinária (AGO), prevista para até o fim de abril,
para “conduzir a companhia neste momento de transição”. Segundo
Longo, o conselho não quis nomear alguém em caráter definitivo para
o cargo com uma assembleia próxima de se realizar, quando o assunto
será debatido.
Lange deixará a companhia no
decorrer desta semana. O executivo assumiu o cargo em maio do ano
passado e iniciou, junto com Longo, o processo de reestruturação
para integrar as 52 corretoras sob o guarda-chuva da holding. No
fim do ano, a companhia anunciou a contratação do Morgan Stanley
como assessor financeiro para ajudá-la na “redefinição de seus
objetivos estratégicos”.
Na teleconferência, o executivo foi
questionado sobre como a empresa vai sobreviver ao fim dos acordos
de “não competição” de boa parte de seus sócios-corretores, que
acaba em novembro de 2016. Longo listou uma série de iniciativas
que estão sendo adotadas para incentivar os corretores permanecerem
na empresa, como eficiência de custos, melhores condições
comerciais com as seguradoras e sinergia de vendas com os outros
corretores da holding.
A ação da Brasil Insurance caiu
7,11% ontem, para R$ 2,09. Só neste ano, o papel já recuou R$
38,5%, após já ter caído 80% ao longo de 2014.