O setor farmacêutico e a Agência
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) defenderam, nesta
quarta-feira (4), a eficácia dos medicamentos genéricos – que têm
os mesmos componentes dos remédios de marca, mas são mais baratos
devido a ausência dos custos relacionados à marca. Segundo eles, os
genéricos passam pelos mesmos testes dos demais
medicamentos.
Os deputados Roberto Teixeira
(PP-PE) e Sérgio Brito (PSD-BA) pediram a audiência em função de
várias reclamações recebidas e de uma pesquisa da associação de
consumidores Proteste que mostrou que 46% dos médicos desconfiam
dos remédios genéricos. Roberto Teixeira lembrou que já existe uma
proposta de fiscalização e controle sobre o assunto (PFC
170/14).
“Vamos ter de tentar, mais cedo ou
mais tarde, fazer uma auditoria quase que todo mês para averiguar a
qualidade desses remédios. Teremos de ir, de surpresa, às fábricas
e realizar os testes necessários in loco, pois não é justo que a
população esteja tomando medicamento sem eficácia”,
afirmou.
Sobre as dúvidas dos médicos,
Ricardo Borges, da Anvisa, informou que a agência tem um canal
específico para essas reclamações. Com esses dados, os técnicos
podem recolher amostras no mercado e checar eventuais
irregularidades.
Mercado
De acordo com Henrique Tada, da
Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Nacionais, os genéricos
fizeram com que a participação dos laboratórios brasileiros no
mercado crescesse de 25,6% em 2000 para 49,7% em 2013.
“Há produtos com mais qualidade e
outros com menos, porque existem empresas e empresas. Mas não dá
para querer condenar uma categoria inteira de medicamentos
genéricos por causa de alguns maus exemplos que por acaso forem
encontrados”, declarou. “O laboratório que for considerado culpado
por pôr um produto de baixa qualidade no mercado merece ser
penalizado”, completou.
Conforme o Procon de São Paulo, os
remédios genéricos são, em média, 56,5% mais baratos que os de
marca.
A íntegra da proposta de
fiscalização pode ser lida no site
da Câmara.